sexta-feira, 6 de junho de 2008

37.

Procura-se um Amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de Sol, da Lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser; deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinícius de Moraes

quarta-feira, 28 de maio de 2008

36.


Alguém aí já dizia que “muitos falam como bosques, mas vivem como pântanos”. Não adianta. Desde sempre somos caricaturados, somos maquiados de uma forma tão perfeita que quando tentamos tirar essa armadura não pensamos se temos estômago para isso. Se iremos suportar esse jogo sujo, previamente marcado, onde já se sabe quem serão os vitoriosos e os perdedores, mas que fingimos não perceber e batemos os pés e gritamos para todos que conosco não é desse jeito, que nós vamos fazer diferente e no fim voltamos ao ponto inicial. Pois, no fundo todos sabemos onde isso acaba.
Momento Desedificante.

terça-feira, 20 de maio de 2008

35.


“Cantando”:
“Denominator, go Decatur, go Decatur, it’s the great I’m…” do Sufjan Stevens. Alias, estou viciada nas musicas dele.

“Observações alheias:”
- Cursar Direito faz mal às pessoas; a menina que senta na minha frente pensa que está na Broadway. Ou em Harvard...

“Observações minhas:”
- IDE CATAR-VOS TODOS OS INSANOS-ALIENADOS-DESTA-BOSTA-QUE-SÓ-COMPRAM-LIVRINHOS-DA-MODA-PRA-DIZEREM-QUE-SÃO-ANTENADOS.

“Considerações:”
- Eu tenho dormido mal. Comido mal. Uma loucura.
- No congresso: um amigo vai vestido à la Agostinho Carrara.
- Nesse mesmo congresso: as palestras estavam tão interessante que tinha gente (tipo eu) que ou cochilava ou jogava STOP ou jogava no celular.
- Ainda nesse mesmo congresso: minha amiga levou um tombo.


"Considerações finais":

- Minha casa está em reforma. E devo dizer: que meeeeeerda.

- Eu volto, ainda nesse mês. É que está tão tumultuado...


sexta-feira, 9 de maio de 2008

34.

Set-list

Eu nunca:
- eu nunca fiquei grávida.
- eu nunca terminei de ler Iracema (José de Alencar) e temo que nunca vá terminar.
- eu nunca estive no meu peso ideal, sempre a mais.
- eu nunca consegui virar vegetariana, por mais que eu quisesse e achasse bonito.
- eu nunca quebrei nada, nem perna, nem braço, nem cotovelo, nem dente. Nadinha.
- eu nunca pisei no consultório de um psicólogo, psiquiatra nem nada parecido. E vou bem, obrigada. Eu acho, pelo menos...

O que eu ainda não:
- eu ainda não sei dirigir.
- eu ainda não me livrei de todos os complexos e inseguranças que tinha.
- eu ainda não tenho rugas.
- eu ainda não visitei todos os lugares que quero conhecer
- eu ainda não descobri qual é a minha vocação

O que eu ainda, sim:
- eu ainda assisto Chaves e Chapolin.
- eu ainda tomo leite. Não gosto, mas tomo.
- eu ainda tenho contato com alguns amigos de infância.
- eu ainda consigo escrever em grego, mesmo usando-o raramente.
- eu ainda falo com meu gato (mas ele continua não respondendo)
- eu ainda tenho vontade de esgoelar pessoas sem desconfiômetro.
- eu ainda adoro shows de pop, rock, samba, enfim... mas prefiro jantar com amigos ou meus pais do que me acabar em alguma festa.

O que eu não mais:
- eu não estou mais nem aí pro gosto musical dos meus amigos.
- eu não consigo mais dormir 8 horas seguidas.
- eu não consigo mais comer de tudo sem engordar.
- eu não gosto mais de sair pra lugares muito tumultuados.
- eu não sou mais uma paranóica com horários.


E o que eu já:
- eu já aprendi a me livrar das neuroses que atrapalham um relacionamento
- eu já aprendi a dividir o meu espaço com outra/s pessoa/s sem brigar por bobeira
- eu já aprendi a assumir responsabilidades
- eu já aprendi a cozinhar.
- eu já sei dar banho em bebê.