segunda-feira, 1 de abril de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
321. Como sobreviver a uma mulher na TPM
Começa com uma paciência por nada. As cócegas se vão e em vez da risadinha gostosa, um empurrãozinho pedindo que você pare. Ou houve problemas no trabalho ou ela está chegando. Você inventa de cozinhar e ela diz que não está com fome. Pede para abaixar o som do carro, que está com dor de cabeça. Diz o mesmo quando você, todo se querendo, a beija no pescoço e fala como ela está cheirosa. Provavelmente você vai ouvir algo sobre o dia insuportável que demorou a passar e o quão cansada ela está. Pronto. Ela está presente.
Sábios eram os antigos, que decretavam, neste momento um "salve-se quem puder". Iriam caçar, pescar ou tomar uma com os amigos e voltaria quando ela já estivesse dormindo. Não entraria em casa antes da luz apagar e ela cansasse de esperar para tirar-lhe o couro. Mas os tempos são outros. As desculpas não colam. As responsabilidades são divididas. E se alguém canta de galo, não será você. O primeiro mandamento para lidar com uma mulher em TPM é compreender e assimilar essa sua subordinação.
A meta é uma só. Sobreviver. Você e o relacionamento. Ao acordar, evite falar o desnecessário. Piadas são muito, mas muito indesejáveis. Bom dia seguido de sorriso é suficiente. No café da manhã, ofereça tudo antes de consumir. Se só resta uma fatia de queijo, não pegue, não se ofereça para dividir. Deixe com ela. O mesmo vale para o café. Eu sei o quanto você precisa de café, mas vá por mim, é melhor parar no caminho e comprar um copo ou simplesmente tomar no trabalho. Antes de sair, ela vai perguntar por alguma coisa que você esqueceu. Elas sempre guardam as perguntas para a hora que você está saindo e será justo o que você não lembra. Também questionará o horário que você vai voltar ou os planos para a janta. Nesse momento você apenas diz que está tudo resolvido, que liga até o final da manhã com os planos prontos e que tem que correr. Um beijo (não muito demorado) e um "Te amo", rápido, letal. Isso vai poupar-lhe algumas horas.
No trabalho, se receber uma SMS ou uma mensagem por rede social, responda na hora. Não tem isso de estar numa reunião. Se não puder, diga "Numa reunião. Ligo já" e, em menos de 40 minutos, ligue! Nem que peça para ir ao banheiro e aproveite a oportunidade. Antes das duas da tarde, mande mensagem dizendo que está com saudades ou dizendo o horário que irá apanhá-la onde ela estiver. Puro. Simples. Confiante. Sem margens para que ela reclame de sua falta de iniciativa, compromisso ou atitude. Mas, ao final, conste: "Se preferir algo diferente, basta avisar". Pondo ordem na casa.
Ao encontrá-la, diga que ela está linda. Ela vai fechar a cara. Dirá que está gorda. Responda, em no máximo 1,5 segundo, que não. Impressão. Que ela está ótima. Sugira um restaurante que ela não vai querer ir, mas que você gosta. Em seguida, depois do "pode ser" ou do "ah tá", emende com um "ou a gente poderia ir ao local X, onde tem aquele Petit Gateau que você gosta". E não se deixe convencer pelo "Não, tudo bem, vamos para esse outro mesmo". Truque, meu caro! Dos mais baixos.
Na mesa, concentre-se em manter o olhar fixo e reto. Não desvie o olhar, especialmente se houver outras mulheres em volta. Em hipótese nenhuma pergunte como foi o dia dela ou mencione sua mãe. Chame o garçom apenas para olhá-la e perguntar "Quer alguma coisa?" e decida o prato a ser pedido, que você, necessariamente, já deve saber que ela goste. Nunca, em nenhuma hipótese, olhe o relógio ou fite o celular e o guarde no bolso. Jamais!
Na volta para casa, dê-lhe algo. Chocolate, uma fotografia impressa, sorvete (só não erre o sabor). Qualquer coisa que não seja um boleto de cobrança. Pergunte (sempre) se a temperatura está agradável (mesmo que esteja insuportável para você). Enquanto ela estiver no banho, prepare um chá e deixe os remédios dela na cabeceira, aguardando-a. Procure fingir, rapidamente, que dorme. Se ela agasalhar-se em seus braços, deixe. Não se mova nunca, mesmo que ela já esteja dormindo (esse é outro jogo baixo). Se o braço ficar dormente, retire-o cuidadosamente, mas faça cafuné até que você durma.
Repita a receita durante os dias seguintes. Não são muitos. Durante o período, mantenha-a sempre longe de objetos pontiagudos e, claro, armas de fogo. Se notá-la sorrindo pela manhã já é sinal que pode voltar à rotina comum. E, meu caro, se em algum momento dessa sequência você deixar escapar "Está estressada?", "Mas você já não tomou remédio?", "Estás diferente...", "Já, já, passa", "Fique calma" ou "Tenho uma coisa para te contar"... Bem, boa sorte!
- Ed Wanderley
*
Utilidade pública. Minhas tpm's não são intensas, mas essas dicas são válidas.
segunda-feira, 25 de março de 2013
320.
Relacionamento não é só prazer. Não é só festa, viagem,
risada, diversão, brinde, sexo, beijo, cumplicidade. Relacionamento tem fase
chata, de vez em quando tem briga, discussão, chatices, rotina, implicâncias,
ciúme, bate boca. A gente tem que lidar, conviver e amar uma pessoa que veio de
outra família, outro mundo, tem outra criação, outros costumes, outros
pensamentos, outro jeito de viver. Você tem que aceitar aquela pessoa como ela
é e isso dá muito trabalho. O amor é lindo sim, e ele é a maior recompensa para
quem não tem medo de enfrentar os próprios medos e os medos do outros. É querer
estar com a pessoa independente de qualquer coisa ou situação. Pelo simples
fato de estar junto”
|
—
|
Caio Fernando Abreu.
|
segunda-feira, 18 de março de 2013
319.
(...) A prática de orar em silêncio, de aquietar a alma para
meditar na Palavra e de escrever ressonâncias depois que alguém compartilha
percepções espirituais, me deixou
boquiaberto. Eu acreditava em preces barulhentas. Achava que Deus gostava de
decibéis exagerados. Aliás, preciso confessar, eu mesmo já insulflei auditórios
com a clara intenção de produzir frenesi para “mostrar” categoricamente que
Deus “operava em nosso meio”. (...) Passei a desejar uma espiritualidade de
afetos. Abandonei o esforço de fazer de minhas orações uma técnica de colocar
Deus em movimento. Destruí o altar que eu erguera para acionar o divino.
Reaprendi que orar é inspirar ausências. Sem muitos barulhos, colocar a alma numa
quietude parecida com a que o sumo sacerdote experimentava ao entrar no Santo
dos Santos. Noto que os cultos, as missas, se tornaram agitados. Pergunto-me se
o ritmo alucinante das músicas e das danças não seriam fugas. Na agitação,
evita-se o confronto com a interioridade e, consequentemente, com Deus. Agora,
só agora, começo a intuir o significado de orar no quarto fechado, em secreto.
(...) Desejo vivenciar minha espiritualidade em atos devocionais. Pretendo
transformar-me em um adorador que faz do “seguimento” de Jesus a melhor
expressão de sua piedade. Liturgias centradas em emocionalismo desmerecem a
tradição profética dos dois testamentos. O melhor culto é defender a justiça.
Deus não gosta de ajuntamentos com liturgias autocentradas, que só buscam
canalizar o seu favor. O verdadeiro culto disponibiliza pessoas para cuidar de
órfãos e viúvas – esta é a verdadeira religião, segundo Tiago. Qualquer
verticalização do louvor só tem sentido se promover a verticalização do
serviço. Espiritualidade é reconhecer Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto
e do desterrado; tudo o mais é individualismo travestido de piedade. Anseio por
reuniões que celebrem a graça, sem paranoias espirituais, sem alguém tentando
infundir culpa para descansar no inescrutável amor de Deus. Quero participar de
comunidades leves, sem as afetações próprias do glamour do mundo, onde os
sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina
com lugares espetaculosos. Viver os valores do seu reino prescinde de holofotes.
- Ricardo Gondim, revista Ultimato Ano XLIII, n° 323
Assinar:
Postagens (Atom)


