domingo, 27 de janeiro de 2008

18.

Desde pequena procurava ajuda nos meus escritos. Sempre fui muito mais confidente ao papel e ao lápis do que a qualquer outra pessoa. Sou muito introspectiva quando o assunto é abrir meu coração, minha vida, minhas histórias e etecétera. Já disseram – e eu estou em total acordo - que eu tenho muita dificuldade em me relacionar com essas questões sentimentais. Adoro as palavras. Talvez por isso me sinta tão vazia quando elas fogem de mim. Elas sempre voltam, mas parece que sempre demoram mais do que deveriam. Preciso das palavras ao meu lado, nem que seja para relatar um monte de bobagens, coisas sem nexo. Mas... nunca tive nenhuma pretensão de ser escritora. Falta talento e cacife para tanto. E sim, eu sou bastante rigorosa nesse assunto. Meu único desejo é que eu mesma goste do “produto final”. Nem sei por que escrevo, sabe... Talvez para afugentar fantasmas ou tentar conviver com eles de forma mais pacífica. Para expor aquilo que eu não consigo falar a uma pessoa, para expor aquilo que eu gostaria de conversar com um amigo. Para me conhecer melhor, para não esquecer das coisas que acontecem comigo –e com os outros também. Para tentar me melhorar. Escrevo só de birra, de alegria, de nervoso, de prazer. E assim, vou escrevendo, escrevendo, escrevendo. TE escrevendo.


"Escrevo como que para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha." Clarice Lispector

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

17.

Sério.

Às vezes eu sofro demais por não poder matar certas pessoas. Degolar, sabe, com uma faquinha de serra, bem coisa de filme B de terror... Algumas pessoas, mesmo quando tencionam me agradar, despertam em mim os mais mais piores dos sentimentos que existem. Não sei por que, só sei que é assim.
¬¬

sábado, 19 de janeiro de 2008

16.

Para ela o pior sentimento do mundo é o de insegurança. Ninguém escapa, nada neutraliza. Nem dinheiro, nem amor, nem família, nem amigos, nem troféus, nem sucesso, nem fã-clube. Segurança só pode existir dentro, no núcleo da alma. Ela às vezes perdia contato com esse núcleo, e sentia medo. O medo desencadeava a crise de abstinência. Todos eram suspeitos quando lhe faltava segurança. Tudo ficava sob suspeição. Ela às vezes se sentia insegura. Nunca foi de muitas certezas, mas achava bom acreditar. Até a próxima decepção. Até o desejo desatendido. Até o atraso grave. Até a primeira expectativa frustrada. Expectativa é uma merda, é a mãe da frustração. Mas como não esperar? Como contornar a dúvida? Porque as coisas não aconteceram como ela esperava? O que ela podia afinal esperar (com segurança)? Se nunca havia certeza, para que esperar? Ela não conseguia não esperar nada. Não podia baixar o metabolismo emocional a tal ponto. Não conseguia guardar a vida num freezer. Tinha até endurecido, mas não perdera a ternura. Ainda não tinha aprendido completamente a domar o desejo, a sublimar a vontade, a não querer. Por isto considerava a insegurança o pior sentimento. Porque queria e não tinha nenhuma garantia de que teria. Porque nunca se pode saber o que há depois da curva, mesmo que já se tenha estado lá antes. Porque tudo muda. O chão nunca é firme por inteiro e o tempo todo. E nada, nem ninguém, podia ajudar nessa ânsia por segurança. Dependia só dela. E ela, às vezes, vasculhava a si mesmo por dentro e não encontrava nada. Nada. Nada além de insegurança.
ps: tá, esse blog tá muito depressivo, eu sei disso, mas vai passar...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

15.

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu...Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente amoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma." (Clarice Lispector)