sexta-feira, 17 de julho de 2009

53.

Lutei tanto tempo pra esvaziar meu coração, esquecer paixões mal-resolvidas, libertar-me do meu mundinho de coisas tristes, que agora não consigo me acostumar com tanta calmaria. Toda aquela turbulência, oscilação hormonal/sentimental era horrível, mas será que não é mais triste viver assim, sem nada? O nada é uma plantinha seca no meio do deserto.
Agora eu sinto falta de me apaixonar. E penso que quando tinha 14 anos, e me apaixonava por quem me desse um sorriso bonito, minha vida era mais engraçada e leve do que hoje, com 20, onde somente um sorriso bonito já não funciona.
Vida cruel.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

52.

"Mas e se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais- por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer , lenço esquecido, camisa jogada na cadeira, uma fotografia - qualquer coisaque depois de muito tempo a gente passa a olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada e que esse nada seja áspero como o tempo perdido. Quando eu tenho quase certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros. Eu prefiro viver com a certeza de ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe"

Caio Fernando de Abreu


domingo, 26 de abril de 2009

51.


Por que às vezes a gente não consegue ficar a fim de quem já está a fim da gente? Não seria muito mais prático, fácil? Nessas horas, vejo-me obrigada a rejeitar. Fazer o quê. Rejeito quando não posso, não consigo aceitar; nego e afasto a outra pessoa. Se bem que existem modos mais sutis. Quando, porventura, aceito, eu recebo, tomo, beijo e abraço, mas nem assim consigo me excitar. Não há vibração, energia, a tal da química -que eu não sei bem o que é e como acontece, mas eu sei que existe. O processo é subliminar, profundo, que dirá misterioso e esquisito. Neste caso não ocorre uma decisão racional, intelectual, bem pensada. A vontade fica impotente e simplesmente alguma coisa impede, diz "não, não vai dar". Deve ser por isso que é tão difícil, em certos casos, explicar à outra pessoa o por quê da nossa rejeição.

Eu quero, desejo, busco, mas simplesmente o corpo não corresponde. Não me excito, não me excita. Simples. Rejeito sem querer. Aí eu vejo nos olhos dele, a decepção, aquele pensamento estampado na cara "não sou bom o suficiente". E não há explicação capaz de diminuir a força do ato. Ou melhor, do não-ato. Não há conversa, carinho, cafuné que disperse a nuvem de desconfiança e dúvida que paira sobre nossas cabeças, preenchendo o espaço, falando mais do que deveria falar. A distância, então, estabelece-se, mesmo que os corpos continuem grudados.

É o desencontro das almas. O fim.

sábado, 28 de março de 2009

50.


Tem certas coisas que a minha mente não entende.
Porque alguém mexe com nossos sentimentos? Por que alguém que teoricamente já “superamos” continua a mexer com nossas idéias? Brincando como um leve balanço; empurrando-nos para frente, e sabendo que iremos voltar, acaba por nos deixar sozinhos, como se nada houvesse acontecido.
Às vezes as decisões a serem tomadas demoram para surgir na nossa mente. Decidir é um processo difícil, todo mundo sabe. Nem sempre o melhor é o correto. E quando finalmente consigo sair por conta própria da balança...Eu me machuco toda. Quase normal. Queria apenas sair ilesa dessa "brincadeira" toda. Novamente.