Para ela o pior sentimento do mundo é o de insegurança. Ninguém escapa, nada neutraliza. Nem dinheiro, nem amor, nem família, nem amigos, nem troféus, nem sucesso, nem fã-clube. Segurança só pode existir dentro, no núcleo da alma. Ela às vezes perdia contato com esse núcleo, e sentia medo. O medo desencadeava a crise de abstinência. Todos eram suspeitos quando lhe faltava segurança. Tudo ficava sob suspeição. Ela às vezes se sentia insegura. Nunca foi de muitas certezas, mas achava bom acreditar. Até a próxima decepção. Até o desejo desatendido. Até o atraso grave. Até a primeira expectativa frustrada. Expectativa é uma merda, é a mãe da frustração. Mas como não esperar? Como contornar a dúvida? Porque as coisas não aconteceram como ela esperava? O que ela podia afinal esperar (com segurança)? Se nunca havia certeza, para que esperar? Ela não conseguia não esperar nada. Não podia baixar o metabolismo emocional a tal ponto. Não conseguia guardar a vida num freezer. Tinha até endurecido, mas não perdera a ternura. Ainda não tinha aprendido completamente a domar o desejo, a sublimar a vontade, a não querer. Por isto considerava a insegurança o pior sentimento. Porque queria e não tinha nenhuma garantia de que teria. Porque nunca se pode saber o que há depois da curva, mesmo que já se tenha estado lá antes. Porque tudo muda. O chão nunca é firme por inteiro e o tempo todo. E nada, nem ninguém, podia ajudar nessa ânsia por segurança. Dependia só dela. E ela, às vezes, vasculhava a si mesmo por dentro e não encontrava nada. Nada. Nada além de insegurança.
ps: tá, esse blog tá muito depressivo, eu sei disso, mas vai passar...


